quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Ruben Andresen Leitão (1920–1975): um escritor apaixonado por Viana e pelo Alto Minho

         

                Ruben A. é o nome literário de Ruben Alfredo Andresen Leitão, nascido em Lisboa a 26 de maio de 1920, e falecido em Londres a 26 de setembro de 1975. Filho de Ruben da Silva Leitão e de Gardina Andresen, estudou as primeiras letras com D. Maria Emília Almada e, depois de completar os estudos liceais no Porto, onde vivia, mudou-se, em 1939, com os pais para Lisboa, matriculando-se no curso de Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1942, transferiu-se para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde viria a completar a sua licenciatura, em 1945.

Iniciou a sua carreira profissional como professor do ensino secundário, no Porto. Como bolseiro do Instituto de Alta Cultura (1947-1948), obteve, no King’s College da Universidade de Londres, o grau de Master of Arts, após o que é nomeado leitor de Português naquela instituição, onde se manteve até 1952. De regresso a Portugal, foi impedido pelo regime de Salazar de prosseguir uma carreira académica ou de trabalhar em instituições culturais do Estado.

A partir de 1954, trabalhou na Embaixada do Brasil, em Lisboa, funções que cumpriu até 1972, ano em que foi escolhido para exercer o cargo de administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Em dezembro de 1974, foi nomeado director-geral dos Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura, cargo que deixou de exercer alguns meses depois para assumir funções docentes na Universidade de Oxford.

Como escritor, e assumindo literariamente o nome de Ruben A., estreou-se com a publicação do primeiro volume de Páginas (1949), série literária de cariz diarístico que viria a ser composta por seis volumes. A sua produção literária reparte-se por dezenas de obras de ficção (romance, novela, conto e teatro), autobiografia e ensaio, salientando-se, neste último domínio, os estudos que desenvolveu sobre a figura do rei D. Pedro V, de quem se tornou profundo conhecedor e a quem dedicou diversos trabalhos.

Ruben A. manifestou sempre uma verdadeira paixão pelo Alto Minho. Em Carreço, junto ao farol de Montedor, construiu uma casa de férias a que deu o nome de «Sargaço». No cemitério desta freguesia, a 8 de outubro do ano da sua morte, foi sepultado em campa rasa, por sua expressa vontade.

 Em Viana do Castelo, entre 1965 e 1968, organizou as Semanas de Música, evento cultural que trouxe à cidade importantes nomes da cultura portuguesa. O amor pela região vianense e o empenho com que sempre promoveu a cultura, valeram-lhe, a título póstumo, em 2000, a Medalha de Mérito da Cidade de Viana do Castelo, distinção que lhe foi atribuída pelo Município. Refira-se ainda que, em 1973, Ruben A. havia sido agraciado com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Em 2020, ano em que se assinalou o centenário do nascimento de Ruben A. (1920-2020), a Câmara Municipal de Viana do Castelo reeditou “Páginas Minhotas”, obra com que já havia homenageado o autor no ano de 2000, evocando novamente a sua figura e dedicando-lhe a 40ª edição da Feira do Livro de Viana do Castelo.

A obra corresponde, originalmente, a uma edição realizada pela Câmara Municipal de Viana do Castelo em 2000. Por se encontrar praticamente esgotada, foi reeditada em 2020 para assinalar o centenário do nascimento do autor. Recorde-se que, em “Páginas Minhotas”, se reúnem onze textos e crónicas que Ruben A., publicados, inicialmente, em 1946 no periódico portuense Jornal de Notícias e, posteriormente, em 1966, 1968[1], 1970, 1971, 1972 e 1975 no Diário Popular, de Lisboa.

Ao longo de uma vida intensa de atividade como professor, escritor e investigador, Ruben A. publicou diversas obras, que aqui destacamos:

Obra histórica (por ordem cronológica): O método e o pensamento religioso nas “Pensées” de Pascal. Coimbra: Instituto de Estudos Franceses, 1945; Cartas de D. Pedro V ao Conde de Lavradio. Porto: Portucalense Editora, 1945; Antero de Quental – Uma carta inédita a Maria Amália Vaz de Carvalho. In “Revista Insulana”. Ponta Delgada: Instituto Cultural, 1949. Separata; Os vencidos da vida. In “Revista Insulana”. Ponta Delgada: Instituto Cultural, 1950; Diário de D. Pedro V – viagem a Inglaterra em 1854. In “Revista da Faculdade de Letras de Lisboa”. Lisboa. 2.ª série, t. XVII, n.º 3(1950). Separata; D. Pedro V – um homem e um rei. Porto: Portucalense Editora, 1950;  Portugal land of poets. In “The Hispanic & Luso-Brazilian Cpouncils”. Londres. Vol. 4, n.º 6 (Abr. 1951), p 8-9; vol. 5, n.º 1 (Jun. 1951), p. 5-7; Cartas de D. Pedro V ao príncipe Alberto. Lisboa: Fundação da Casa de Bragança: Portugália Editora, 1954; D. Pedro V e Herculano. Coimbra: Coimbra Editora, 1954; Documentos dos arquivos de Windsor. Coimbra: Coimbra Editora, 1955; Novos documentos dos arquivos de Windsor. Coimbra: Coimbra Editora, 1958; Cartas de D. Pedro V aos seus conterrâneos. Lisboa: Livraria Portugal, 1961 (Edição comemorativa do centenário da morte de D. Pedro V); Tratados e actos internacionais: Brasil – Portugal. Lisboa: Edições Sepro, 1962; D. Pedro V: Contribuição para a sua bibliografia. In “Boletim Internacional de Bibliografia Luso-Brasileira”. Lisboa. vol. V, n.º 1 (1964), p. 70-108; Os templos da Núbia Abu Simbel. In “Colóquio: revista de artes e letras”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. N.º 29 (Jun. 1964), p. 22-31. Separata; Relações de família. In “Revista Shell”. Lisboa. N.º 351 (Out.-Dez. 1964), p. 8-11; Uma polémica real: polémica de D. Pedro V com o capitão Luís Pimentel. In “Anais da Academia Portuguesa da História”. Lisboa. 2.ª série, vol. 15 (1965). Separata; O anil: documentos para a sua história. In “Revista Geographica”. Lisboa: Sociedade de Geografia. Nº 5 (Jan. 1966), p. 50-59. Separata; Moinhos manuais de café. In “Revista Geographica”. Lisboa: Sociedade de Geografia. N.º 7 (Jul. 1966), p. 29-37. Separata; Três símbolos de uma época. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1966. Separata; Inéditos de D. Pedro V nos arquivos reais de Windsor.  In “Revista Ocidente”. Lisboa. Vp. 70-71 (Dez. 1966). Separata; Cartas de D. Pedro V ao imperador do Brasil. In “Revista Ocidente”. Lisboa. (Nov. 1969). Separata; Diário da viagem a França Del-Rei D. Pedro V (1855). In “Memórias e Documentos para a História Luso-Francesa – VI”. Paris: Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, 1970; O Solar dos Brasis. In “Revista Ocidente”. Lisboa. Vol. LXXXI, 1971, p. 29-37. Separata; A importância do fundo do Real Erário para a história do Brasil. In “Subsídios para a História Portuguesa”. Lisboa: Academia Portuguesa da História. N.º 11 (1972); António Nobre: o poeta dos nomes certos. In “Revista Municipal”. Lisboa. N.º 136-137 (1973), p. 31-42. Separata; O significado das eleições de 1856. In “Sillages”. Poitiers. N.º 4 (1974), p. 89-113. Separata; A acção diplomática do Conde de Lavradio em Londres (1851-1855). In “Memórias da Academia das Ciências de Lisboa – Classe de Letras”. Lisboa. T. XVI (1975), p.7-74. Separata; Perfil de um mestre. In “Colectânea de estudos em honra do Prof. Damião Peres”. Lisboa: Academia Portuguesa de História, 1974. p. 21-36, Dicionário da História de Portugal (colaboração). Direcção de Joel Serrão. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1963.


Obra Literária (por ordem cronológica): Páginas I. Coimbra: Coimbra Editora, 1949; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1996; Páginas II. Coimbra: Coimbra Editora, 1950; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1997; Triálogo (teatro), 1951; Caranguejo (romance). Coimbra: Coimbra Editora, 1954; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1988; Páginas III. Coimbra: Coimbra Editora, 1956; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1998; Cores (contos). Lisboa: Edições Ática, 1960; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1989; Páginas IV. Coimbra: Coimbra Editora, 1960; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1999; Um adeus aos deuses: Grécia. Lisboa: Livraria Portugal, 1963; reimp. Lisboa: Assírio & Alvim, 2010; Júlia: uma peça em dois actos (teatro). Lisboa: Livraria Portugal, 1963; reimp. Lisboa: Assírio & Alvim, 2007; Jardim ancorado. In “Colóquio: revista de artes e letras”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. N.º 31 (Dez. 1964), p. 59-63; A Torre da Barbela (romance). Lisboa: Livraria Portugal, 1964; 2.º ed. 1965; 3.ª ed. rev. precedida de ensaio de José Palla e Carmo. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, [1966]; reed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1995; reimp. Lisboa: Livros do Brasil, 2020; O mundo à minha procura: autobiografia I. Lisboa: Livraria Portugal, 1964; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1992; Relato de 1453 (teatro),1965; O outro que era eu (novela). Lisboa: Livraria Portugal, 1966; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1991; O mundo à minha procura: autobiografia II. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1966; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1993; Páginas V. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1967; reimp. Lisboa: Assírio & Alvim, 2000; O mundo à minha procura: autobiografia III. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1968; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1994; Páginas VI. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1970; reimp. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001; Silêncio para 4 (romance). Lisboa: Morais Editores, 1973; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1990; Kaos (romance). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 2003.

Ruben A. e Pedro Homem de Mello

 



[1] Texto censurado e, por esse motivo, não publicado nessa data.

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