No mundo atual, fruto
da introdução das novas tecnologias de informação e comunicação, as bibliotecas
passaram a desenvolver grande parte dos seus serviços de forma automatizada,
permitindo o acesso à distância a muitos dos recursos e serviços disponibilizados pelas bibliotecas,
como os serviços de referência, os documentos digitalizados, os catálogos e as bases
de dados, entre muitos outros. A informação deixou de estar exclusivamente
associada ao livro para estar presente em diversos suportes. Os novos recursos
resultantes da automatização tornaram a biblioteca um lugar diferente de um
depósito de livros como durante muito tempo foi entendida. O conceito de
biblioteca mudou. A biblioteca do passado já não existe! No entanto, estas
mudanças são também o resultado da evolução havida por parte de quem medeia
todo este processo entre a busca da informação e os seus utilizadores, ou seja,
o bibliotecário ou o profissional da informação, como também se denomina em
resultado das transformações surgidas.
À medida que os
sistemas informatizados foram avançando nas bibliotecas as relações entre os
bibliotecários e os utilizadores foram-se modificando, dando origem a novas
formas de mediação, fruto das novas exigências. Em resultado destas mudanças, o
bibliotecário assumiu também um novo perfil, o de profissional da informação,
deixando de ser um guardião dos livros e um erudito para assumir o papel de
interface facilitador de busca e acesso à informação e ao conhecimento.
Outra das alterações
verificadas nas atuais bibliotecas com o desenvolvimento tecnológico situa-se
ao nível dos suportes da informação. Atualmente, os utilizadores já não passam
horas na biblioteca lendo um livro, mas procuram a informação que lhes é útil,
independentemente do suporte em que se encontre de acordo com a sua relevância para
as suas necessidades. A proliferação de suportes materiais com informação útil
para os utilizadores transformou a biblioteca num espaço mais abrangente e diversificado
também no que respeita às atividades que promove.
Hoje em dia, as
diversas atividades associadas às bibliotecas e por elas dinamizadas tendem a
mudar em alguns aspetos. De qualquer forma, atendendo à sua universalidade como
entidades culturais, os bibliotecários devem preocupar-se em estar em sintonia
com a razão de ser destas entidades de modo a manter a coerência dos
pressupostos que estão na sua origem. Tudo o que se realiza na biblioteca deve enquadrar-se
no espírito e no conceito que sempre a caracterizaram, enquadrando-se nos seus
princípios básicos de divulgação da informação e do conhecimento.
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| A missão de uma biblioteca pública não se cose à máquina |
Consideramos que os bibliotecários, como responsáveis pela gestão destas entidades precisam de se preocupar, cada vez mais, com o que podem fazer no campo da promoção da leitura e da literacia, e, também, com o que não devem fazer porque não se enquadra no espírito das instituições que dirigem, tornando-as irreconhecíveis quanto à sua função. Aliás, não nos podemos esquecer que as bibliotecas continuam a ser projetadas com estantes!
In “Correio do Minho” (10. dezembro.
2022)
