Ruben A. é o nome literário de Ruben
Alfredo Andresen Leitão, nascido em Lisboa a 26 de maio de 1920, e falecido em
Londres a 26 de setembro de 1975. Filho de Ruben da Silva Leitão e de Gardina
Andresen, estudou as primeiras letras com D. Maria Emília Almada e, depois de
completar os estudos liceais no Porto, onde vivia, mudou-se, em 1939, com os
pais para Lisboa, matriculando-se no curso de Ciências Histórico-Filosóficas da
Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1942, transferiu-se para a Faculdade de
Letras da Universidade de Coimbra, onde viria a completar a sua licenciatura,
em 1945.
Iniciou a sua carreira profissional
como professor do ensino secundário, no Porto. Como bolseiro do Instituto de
Alta Cultura (1947-1948), obteve, no King’s College da Universidade de Londres,
o grau de Master of Arts, após o que é nomeado leitor de Português
naquela instituição, onde se manteve até 1952. De regresso a Portugal, foi
impedido pelo regime de Salazar de prosseguir uma carreira académica ou de
trabalhar em instituições culturais do Estado.
A partir de 1954, trabalhou na
Embaixada do Brasil, em Lisboa, funções que cumpriu até 1972, ano em que foi escolhido
para exercer o cargo de administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Em dezembro
de 1974, foi nomeado director-geral dos Assuntos Culturais do Ministério da
Educação e Cultura, cargo que deixou de exercer alguns meses depois para
assumir funções docentes na Universidade de Oxford.
Como escritor, e assumindo
literariamente o nome de Ruben A., estreou-se com a publicação do primeiro
volume de Páginas (1949), série literária de cariz diarístico
que viria a ser composta por seis volumes. A sua produção literária reparte-se
por dezenas de obras de ficção (romance, novela, conto e teatro), autobiografia
e ensaio, salientando-se, neste último domínio, os estudos que desenvolveu
sobre a figura do rei D. Pedro V, de quem se tornou profundo conhecedor e a quem
dedicou diversos trabalhos.
Ruben A. manifestou sempre uma
verdadeira paixão pelo Alto Minho. Em Carreço, junto ao farol de Montedor, construiu
uma casa de férias a que deu o nome de «Sargaço». No cemitério desta freguesia,
a 8 de outubro do ano da sua morte, foi sepultado em campa rasa, por sua
expressa vontade.
Em Viana do Castelo, entre 1965 e 1968, organizou
as Semanas de Música, evento cultural que trouxe à cidade importantes nomes
da cultura portuguesa. O amor pela região vianense e o empenho com que sempre promoveu
a cultura, valeram-lhe, a título póstumo, em 2000, a Medalha de Mérito da Cidade
de Viana do Castelo, distinção que lhe foi atribuída pelo Município. Refira-se ainda
que, em 1973, Ruben A. havia sido agraciado com o grau de Comendador da Ordem
do Infante D. Henrique.
Em 2020, ano em que se assinalou o
centenário do nascimento de Ruben A. (1920-2020), a Câmara Municipal de Viana
do Castelo reeditou “Páginas Minhotas”,
obra com que já havia homenageado o autor no ano de 2000, evocando novamente a
sua figura e dedicando-lhe a 40ª edição da Feira do Livro de Viana do Castelo.
A obra corresponde, originalmente, a
uma edição realizada pela Câmara Municipal de Viana do Castelo em 2000. Por se
encontrar praticamente esgotada, foi reeditada em 2020 para assinalar o
centenário do nascimento do autor. Recorde-se que, em “Páginas Minhotas”, se reúnem onze textos e crónicas que Ruben A.,
publicados, inicialmente, em 1946 no periódico portuense Jornal de Notícias e, posteriormente, em 1966, 1968,
1970, 1971, 1972 e 1975 no Diário Popular,
de Lisboa.
Ao longo de uma vida intensa de
atividade como professor, escritor e investigador, Ruben A. publicou diversas
obras, que aqui destacamos:
Obra histórica (por ordem cronológica): O método e o pensamento religioso
nas “Pensées” de Pascal. Coimbra: Instituto de Estudos Franceses, 1945;
Cartas
de D. Pedro V ao Conde de Lavradio. Porto: Portucalense Editora, 1945;
Antero
de Quental – Uma carta inédita a Maria Amália Vaz de Carvalho. In
“Revista Insulana”. Ponta Delgada: Instituto Cultural, 1949. Separata; Os
vencidos da vida. In “Revista Insulana”. Ponta Delgada: Instituto
Cultural, 1950; Diário de D. Pedro V – viagem a Inglaterra em 1854. In “Revista
da Faculdade de Letras de Lisboa”. Lisboa. 2.ª série, t. XVII, n.º 3(1950).
Separata; D. Pedro V – um homem e um rei. Porto: Portucalense Editora,
1950; Portugal land of poets.
In “The Hispanic & Luso-Brazilian Cpouncils”. Londres. Vol. 4, n.º 6 (Abr.
1951), p 8-9; vol. 5, n.º 1 (Jun. 1951), p. 5-7; Cartas de D. Pedro V ao príncipe
Alberto. Lisboa: Fundação da Casa de Bragança: Portugália Editora, 1954;
D.
Pedro V e Herculano. Coimbra: Coimbra Editora, 1954; Documentos
dos arquivos de Windsor. Coimbra: Coimbra Editora, 1955; Novos
documentos dos arquivos de Windsor. Coimbra: Coimbra Editora, 1958; Cartas
de D. Pedro V aos seus conterrâneos. Lisboa: Livraria Portugal, 1961
(Edição comemorativa do centenário da morte de D. Pedro V); Tratados
e actos internacionais: Brasil – Portugal. Lisboa: Edições Sepro, 1962;
D.
Pedro V: Contribuição para a sua bibliografia. In “Boletim
Internacional de Bibliografia Luso-Brasileira”. Lisboa. vol. V, n.º 1 (1964),
p. 70-108; Os templos da Núbia Abu Simbel. In “Colóquio: revista de artes
e letras”. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. N.º 29 (Jun. 1964), p. 22-31.
Separata; Relações de família. In “Revista Shell”. Lisboa. N.º 351 (Out.-Dez. 1964), p. 8-11; Uma
polémica real: polémica de D. Pedro V com o capitão Luís Pimentel. In
“Anais da Academia Portuguesa da História”. Lisboa. 2.ª série, vol. 15 (1965). Separata;
O
anil: documentos para a sua história. In “Revista Geographica”. Lisboa:
Sociedade de Geografia. Nº 5 (Jan. 1966), p. 50-59. Separata; Moinhos
manuais de café. In “Revista Geographica”. Lisboa: Sociedade de
Geografia. N.º 7 (Jul. 1966), p. 29-37. Separata; Três símbolos de uma época.
Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1966. Separata; Inéditos de D. Pedro V nos
arquivos reais de Windsor. In
“Revista Ocidente”. Lisboa. Vp. 70-71 (Dez. 1966). Separata; Cartas
de D. Pedro V ao imperador do Brasil. In “Revista Ocidente”. Lisboa.
(Nov. 1969). Separata; Diário da viagem a França Del-Rei D. Pedro V
(1855). In “Memórias e Documentos para a História Luso-Francesa – VI”.
Paris: Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, 1970; O Solar
dos Brasis. In “Revista Ocidente”. Lisboa. Vol. LXXXI, 1971, p. 29-37. Separata;
A
importância do fundo do Real Erário para a história do Brasil. In
“Subsídios para a História Portuguesa”. Lisboa: Academia Portuguesa da
História. N.º 11 (1972); António Nobre: o poeta dos nomes certos.
In “Revista Municipal”. Lisboa. N.º 136-137 (1973), p. 31-42. Separata; O
significado das eleições de 1856. In “Sillages”. Poitiers. N.º 4
(1974), p. 89-113. Separata; A acção diplomática do Conde de Lavradio em
Londres (1851-1855). In “Memórias da Academia das Ciências de Lisboa –
Classe de Letras”. Lisboa. T. XVI (1975), p.7-74. Separata; Perfil
de um mestre. In “Colectânea de estudos em honra do Prof. Damião
Peres”. Lisboa: Academia Portuguesa de História, 1974. p. 21-36, Dicionário
da História de Portugal (colaboração). Direcção de Joel Serrão. Lisboa:
Iniciativas Editoriais, 1963.

Obra Literária (por ordem cronológica): Páginas I. Coimbra:
Coimbra Editora, 1949; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1996; Páginas
II. Coimbra: Coimbra Editora, 1950; 2.ª ed. Lisboa: Assírio &
Alvim, 1997; Triálogo (teatro), 1951; Caranguejo (romance). Coimbra:
Coimbra Editora, 1954; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1988; Páginas
III. Coimbra: Coimbra Editora, 1956; 2.ª ed. Lisboa: Assírio &
Alvim, 1998; Cores (contos). Lisboa: Edições Ática, 1960; 2.ª ed. Lisboa:
Assírio & Alvim, 1989; Páginas IV. Coimbra: Coimbra
Editora, 1960; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1999; Um adeus aos deuses: Grécia. Lisboa: Livraria Portugal, 1963;
reimp. Lisboa: Assírio & Alvim, 2010; Júlia: uma peça em dois actos
(teatro). Lisboa: Livraria Portugal, 1963; reimp. Lisboa: Assírio & Alvim,
2007; Jardim ancorado. In “Colóquio: revista de artes e letras”.
Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. N.º 31 (Dez. 1964), p. 59-63; A
Torre da Barbela (romance). Lisboa: Livraria Portugal, 1964; 2.º ed.
1965; 3.ª ed. rev. precedida de ensaio de José Palla e Carmo. Lisboa: Parceria
António Maria Pereira, [1966]; reed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1995; reimp.
Lisboa: Livros do Brasil, 2020; O mundo à minha procura: autobiografia I.
Lisboa: Livraria Portugal, 1964; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1992; Relato
de 1453 (teatro),1965; O outro que era eu (novela). Lisboa:
Livraria Portugal, 1966; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1991; O
mundo à minha procura: autobiografia II. Lisboa: Parceria António Maria
Pereira, 1966; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1993; Páginas V. Lisboa:
Parceria António Maria Pereira, 1967; reimp. Lisboa: Assírio & Alvim, 2000;
O
mundo à minha procura: autobiografia III. Lisboa: Parceria António
Maria Pereira, 1968; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1994; Páginas
VI. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1970; reimp. Lisboa:
Assírio & Alvim, 2001; Silêncio para 4 (romance). Lisboa:
Morais Editores, 1973; 2.ª ed. Lisboa: Assírio & Alvim, 1990; Kaos
(romance). Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1981; 2.ª ed. Lisboa:
Assírio & Alvim, 2003.
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| Ruben A. e Pedro Homem de Mello |