terça-feira, 18 de agosto de 2026

António Manuel Couto Viana (1923 – 2010): uma vida entre as letras e o palco

    

                          Poeta, dramaturgo, contista, ensaísta, memorialista, tradutor, encenador, ator, gastrólogo e autor de
livros para crianças, António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo a 24 de janeiro de 1923, sendo o mais novo de três irmãos, e morreu em Lisboa a 8 de junho de 2010.

    António Manuel Couto Viana cresceu e viveu ligado às artes e às letras. Publicou meia centena de livros de poesia e cerca de oitenta títulos de outros géneros literários, com relevo para os livros de ensaios e memórias.

    Durante a infância e juventude viveu muito ligado ao Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, e, aos 15 anos, escreveu uma revista à portuguesa sobre a vida escolar e a vida citadina que, incentivado pelos seus professores, levou à cena neste teatro.

    Aos 23 anos mudou-se com a família para Lisboa e rapidamente se integrou no meio cultural da capital, criando amizades duradouras com, entre outros, David Mourão-Ferreira e Sebastião da Gama.

    Aí, desde cedo, dirigiu o seu interesse para o teatro, começando por colaborar como ator, cenógrafo e encenador no Teatro Estúdio do Salitre (1948-1950). Integrou a direcção do Teatro de Ensaio do Teatro Monumental (1952) e foi empresário e director do Teatro do Gerifalto (1956-1960), especializado em espectáculos infantis, e também da Companhia Nacional de Teatro (1961-1965). Em 1966, diplomou-se em Teatro, em Veneza, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. A sua atividade artística
mereceu-lhe o Prémio Nacional António Pinheiro (por duas vezes) e o Prémio da Crítica. Entre as funções que exerceu ao longo da vida contam-se ainda as de orientador artístico da Oficina de Teatro da Universidade de Coimbra, Mestre de Arte de Cena do Teatro Nacional de São Carlos e colaborador da Ópera de Câmara do Real Theatro de Queluz. Encenou para o Círculo Portuense de Ópera e para a Companhia Portuguesa de Ópera (Teatro da Trindade). Com ator, participou em filmes portugueses e estrangeiros e em peças para o palco e para a televisão.

    A sua estreia literária verificou-se em 1948 com o livro de poemas O avestruz lírico. Com David Mourão-Ferreira e Luiz de Macedo, dirigiu as folhas de poesia Távola Redonda (1950-1954) e a revista de cultura Graal (1956-1957), tendo ainda feito parte do conselho de redacção da revista Tempo Presente (1959-1961).

    Além do teatro e da poesia, António Manuel Couto Viana dedicou-se também à literatura infantojuvenil, escrevendo e traduzindo livros e dirigindo publicações como a revista Camarada (1949-1951). De referir que uma parte significativa da sua atividade teatral, como ator, encenador e autor, se orientou para as crianças.

    A obra poética de António Manuel Couto Viana figura nas principais antologias de língua portuguesa e espanhola, e poemas seus foram traduzidos para castelhano, inglês, francês, alemão, russo e chinês. A sua poesia foi estudada por David Mourão-Ferreira, Artur Anselmo, Tomaz de Figueiredo, Eduíno de Jesus, Rodrigo Emílio, João Maia, Franco Nogueira, João Bigotte Chorão, José Carlos Seabra Pereira, Beatriz Basto da Silva, Mário Saraiva e Joaquim Manuel Magalhães. Via-se, em primeiro lugar, como poeta, embora o texto dramático, o ensaio, a gastrologia e o conto, género que experimentara já em jovem, tenham igualmente marcado a sua intensa produção literária.

    Foi galardoado com o Prémio Antero de Quental (em 1949 e 1969), o Prémio Luso-Galaico Valle-Inclan (em 1960), o Prémio Nacional de Poesia (em 1965), o Prémio da Academia de Ciências (em 1971), o Prémio de Literatura da Sociedade Histórica da Independência de Portugal (em 1988) e o Prémio Camilo Pessanha (em 1992), da Fundação Oriente.


    De 1986 a 1988, viveu em Macau, onde exerceu funções docentes no Instituto Cultural. Em 1989, a convite de David Mourão-Ferreira, passou a integrar a Comissão de Leitura dos Serviços de Bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian, na área da literatura infantojuvenil, mantendo posteriormente a sua colaboração no Conselho de Leitura da Fundação, na Secção Ensino e Bolsas. Nos últimos anos de vida residiu na Casa do Artista, em Lisboa, onde permaneceu até ao seu falecimento, em junho de 2010.  

    Foi agraciado com a Banda da Cruz de Mérito, a Grã-Cruz da Falange Galega e o Grande Oficialato da Ordem do Infante D. Henrique. O Município de Viana do Castelo atribui-lhe a Medalha de Mérito Cultural e dedicou a Sala Couto Viana, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo, ao escritor e à sua família.








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