Em 1941, com apenas vinte e quatro anos de idade, faleceu, em Coimbra, o poeta vianense Álvaro Feió, de nome completo Álvaro de Castro Sousa Correia Feijó. Fez os estudos secundários no colégio dos jesuítas de La Guardia, na vizinha Galiza, prosseguindo depois a sua formação no Liceu Alexandre Herculano, no Porto. Concluídos os estudos liceais, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.
Influenciado pela obra de seu tio-avô António Feijó (1859-1917), introdutor e exímio cultor do parnasianismo francês no nosso país, Álvaro Feijó escreveu os seus Primeiros Versos que, segundo os críticos, constituem a manifestação de um talento poético embrionário, caracterizada por um ensaio de versificação parnasiana. Os poemas da adolescência na subjetividade do «eu» e nos temas do amor, reeditando tensão entre o amor espiritual e o carnal. Por outro lado, o poeta procura definir o seu próprio caminho poético, denunciando uma crise de identidade, dividido entre a sua condição de aristocrata e as exigências da transformação social, que na Coimbra de finais dos anos trinta do século passado, estiveram na origem da afirmação do movimento neo-realista. Disso é testemunho o legado poético que deixou, no qual os temas de mais fundas raízes na cultura e na literatura portuguesas se irmanam com uma consciência social.
Álvaro Feijó não foi apenas o continuador, noutro plano, das tradições poéticas da família, pois deixou na sua obra um documento e uma lição de grande valor humano. Era um poeta sedento de perfeição e de beleza, numa luta constante consigo mesmo e até com o meio, forma única de se superar.
Os versos de Álvaro Feijó foram publicados em revistas como “Sol Nascente”, “O Diabo”, “Altitude” e “Seara Nova” e, postumamente, no “Novo Cancioneiro”. Companheiro no exercício poético de Políbio Gomes dos Santos, Joaquim Namorado e João José Cochofel, e ligado aos princípios do
movimento neo-realista, a sua poesia sofre a trágica influência da Guerra Civil de Espanha (1936-1939) e da Segunda Guerra
Mundial. Não é por acaso que em Corsário, que veio a lume em 1940, o único livro que publicou em vida, há um apelo fundamental à reforma da sociedade e da justiça social, bem como ao esvaziamento dos conteúdos religiosos, substituídos por temas laicos. No Diário de Bordo, que ficou incompleto devido à doença implacável, assiste-se a uma nova estratégia temática, com versos de sarcasmo feroz dirigidos à própria classe aristocrática, ridicularizada nos seus atos de mundanidade frívola, numa ironia de feição queirosiana.
Álvaro Feijó dedicou-se também ao teatro, tendo sido encontrados entre os seus manuscritos alguns esboços de peças. Os Poemas de Álvaro Feijó, livro que reúne Primeiros Versos, Corsário e o inacabado Diário de Bordo, teve a sua primeira edição em Coimbra, em 1941, integrada no Novo Cancioneiro e com prefácio de Armando Bacelar. A obra conheceu posteriormente mais três edições: uma em 1961, por João José Cochofel, na “Portugália”; outra em 1978, na “Brasília Editora”; e, por fim, em 2005, por seu irmão Rui Feijó, na “Evoramons Editores”, onde exprime a convicção de que Álvaro Feijó sentiria alegria se pudesse saber que a sua poesia permanece no imaginário de várias gerações, que figura em todas as antologias responsáveis da poesia do tempo em que viveu e que continua a ser editado.
Sem comentários:
Enviar um comentário