Fixando a sua redação e administração na rua de S. Bento, n.º 41 (até junho de 1917), passa, depois, para a Av. de Camões, n.º 16 (até dezembro de 1929), e, posteriormente, para o Largo de S. Bento.
Composta e impressa inicialmente na tipografia A Plebe, na rua dos Manjovos, em Viana do Castelo, a partir dos n.ºs 41/42 (nov. / dez. 1919) é a tipografia Minerva, em Famalicão, que executa esse trabalho.
A totalidade da revista compreende 4 volumes, impressos a duas colunas, em formato de 25,5 x 17 cm. O primeiro volume reúne os n.ºs 1 a 23/24, editados entre 15 de março de 1917 e 1 de março de 1918, num total de 192 páginas; o segundo volume, os n.ºs 25 a 45/46, de 15 de março de 1918, a 1 de fevereiro de 1919, com 176 páginas; o terceiro volume, os n.ºs 47 a 56, de 6 de julho de 1919, a abril / dezembro de 1920, com 152 páginas; e o quarto volume, os n.ºs 57/60 a 77/82, de janeiro / dezembro de 1921, a julho / dezembro de 1924, com 156 páginas.
Publicada nos dias 1 e 15 de cada mês, a assinatura de cada volume começa por custar 2$50, e o número avulso (de 8 páginas) $07 (70 rs.). No entanto, a partir de 1921, as dificuldades com a edição começam a aumentar, pelo que, nesse ano, publica-se uma vez (correspondendo aos n.ºs 57 a 60). Em 1922 e 1923, sai também uma única vez (n.ºs 61 a 70), e, em 1924, último ano de publicação, sai duas vezes (n.ºs 71 a 76 e 77 a 82).
A Lusa reúne um conjunto de trabalhos de grande interesse para a região, sendo muito procurada devido à qualidade dos temas tratados, sobretudo no âmbito da literatura, da linguística, do teatro, da etnografia, da etnologia, da antropologia, da heráldica, da arqueologia e da música. Nela encontramos a importante colaboração de Cláudio Basto, especialmente no campo da linguística, de Pedro Vitorino, no campo da arqueologia e de José Leite de Vasconcelos, na área da etnografia.
Constituindo atualmente uma publicação muito pouco vulgar, devido à sua raridade, os quatro volumes da Lusa, graficamente atraentes, contêm fotografias da época e a capa, a partir do segundo volume, é da autoria de Abel Cardoso. Nela incluem-se trabalhos assinados por A. Aurélio da Costa Ferreira, A. C. Pires de Lima, Afonso Lopes Vieira, Aires de Sá, Alberto Pimentel, Alberto Saavedra, Albino Forjaz Sampaio, Alfredo Inocêncio, Álvaro Neves, Ana de Castro Osório, António Baião, António Barradas, António Correia de Oliveira, António Ferreira, António Vitorino Ribeiro, Augusto Pinto, Belisário Pimenta, Cândido de Figueiredo, Carlos de Passos, Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Cláudio Basto, Delfim Guimarães, Emanuel Ribeiro, Ernesto Sardinha, F. Alves Pereira, Ferreira Soares, Gomes de Brito, Henrique Lopes de Mendonça, J. J. Nunes, J. Leite de Vasconcelos, José Maria Rodrigues, João da Rocha, João da Silva Correia, José Caldas, Kol d’Alvarenga, L. de Figueiredo da Guerra, Manuel de Moura, Manuel de Sousa Pinto, Maria da Conceição Portugal Dias, M. Cardoso Marta, Óscar Pratt, Pedro de Azevedo, Pedro Vitorino, Raimundo Esteves, Raul Brandão, Ribeiro Cristino, Sebastião Rodolfo Dalgado, Teófilo Braga, Tito de Sousa Larcher, Vitor Ribeiro, Xavier da Cunha e Wenceslau de Moraes.
Mas, afinal, quem foi este vianense de nome Cláudio Basto que esteve na origem desta publicação?
De seu nome completo, Cláudio Filipe de Oliveira Basto, nasceu em Viana do Castelo a 13 de agosto de 1886 e faleceu no Porto a 2 de maio de 1945.
Em Viana do Castelo frequentou o ensino primário e concluiu o curso geral dos liceus. Em Braga frequentou o curso complementar e no Porto, na Faculdade de Medicina, em 1911, fez o Curso Médico-Cirúrgico. Dedicou-se à docência no Liceu de Viana, onde lecionou até 1927 várias disciplinas de letras e ciências. Durante este período, foi vogal da Comissão Administrativa (1911 a 1913) e Inspetor interino do círculo escolar de Viana (1919). Lecionou na Escola de Ensino Normal (1916 a 1918), na Escola Primária Superior João da Rocha (desde 1919) e em Escolas Industriais (1916 a 1944). Casou em 1917, em Lisboa, com a sua colega de curso Hermínia Costa de Oliveira Basto, com quem teve um filho. Quando, em 1944, adoeceu era professor efetivo da Escola Industrial de Faria Guimarães, no Porto, afastando-se a partir dessa data da sua atividade profissional. Paralelamente à atividade docente, exerceu durante alguns anos funções de médico-escolar (1911 a 1926).
Desenvolveu uma intensa atividade como escritor, etnógrafo e filólogo. Destacou-se no campo da etnografia portuguesa, dedicando uma parte significativa da sua obra ao estudo da cultura tradicional do Alto Minho.
Os seus estudos etnográficos incidiram sobre as temáticas relacionadas com as expressões e tradições orais, com destaque para a linguagem e costumes da medicina popular, o traje e o teatro, contribuindo de forma significativa para o estudo do património etnográfico local e regional, sendo a revista Lusa um dos mais expressivos exemplos. Fundou ainda as publicações Limia e a revista Nova Silva (com Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão e Álvaro Pinto), tendo sido também colaborador da imprensa local, nomeadamente em O Povo (1908-1910), O Minho (1918) e Gazeta de Viana (1911-1916), para além do mensário portuense O Tripeiro (1930-1931) e da revista Lusitana. Dirigiu igualmente a revista Portucale, por convite de José Leite de Vasconcelos, contribuindo com diversos trabalhos de âmbito etnográfico.
Cláudio Basto foi, ainda, autor de uma importante obra, da qual se destacam os trabalhos relativos à linguagem popular, nomeadamente Tradições Populares, Falas e Tradições de Viana (1910), Nótulas ao “Novo Dicionário” (1913-1916), “Saudade” em Português e Galego (1914). Com Carolina Michaëlis e José Leite de Vasconcelos colaborou na obra No Seio da Virgem-Mãe (1922), e foi autor de A Linguagem dos gestos em Portugal - esboço etnográfico (1938). Da sua obra etnográfica, no âmbito da temática da literatura oral, dedicou-se à recolha do cancioneiro português em Flores de Portugal (1926) e aos estudos sobre crenças e superstições em Treze à Mesa (1914) e Comparações Tradicionais Portuguesas (1924). Em 1930 publicou a sua obra de referência Traje à Vianesa, que tinha iniciado em 1923 em ensaio da coleção Diário de Notícias, intitulado Do Traje “à vianesa” em geral e do traje de Afife em especial – notas regionais, caracterizando os estudos relativos ao traje popular, ou “fato à lavradeira”, usado nas festas e romarias das freguesias limítrofes de Viana do Castelo, nomeadamente em Afife, Carreço, Areosa, Meadela, Santa Marta e Perre. Em 1939 publicou Silva Etnográfica, onde reuniu uma série de artigos sobre etnografia minhota dispersos nas publicações periódicas em que colaborou. Colaborou, ainda, em diversas miscelâneas das quais se destaca a dedicada a J. Leite de Vasconcelos, em 1934, e foi igualmente autor das bio-bibliografias dos etnógrafos A. Tomás Pires, Teófilo de Braga, Gonçalves Viana e Mário Barreto.
Em 1949, em sua homenagem, foi publicado no Porto o volume Miscelânea de Estudos à Memória de Cláudio Basto, organizado por Hermínia Basto. Atualmente, junto à Escola Secundária de Santa Maria Maior (antigo Liceu), apesar de não ser o edifício onde lecionou, encontra-se o busto de Cláudio Basto, esculpido por Manuel Rocha e colocado por ocasião do centenário do seu nascimento.
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