terça-feira, 4 de agosto de 2026

"A Falar de Viana": uma revista ao serviço da cultura e da memória


        Em 1995, por ocasião da Romaria em Honra de Nossa Senhora da Agonia, Viana do Castelo vê nascer pelas mãos da VIANAfestas – Associação Promotora das Festas da Cidade, uma publicação cultural que, ao longo dos anos, se afirmou como espelho fiel da sua identidade. Mais do que um simples registo de eventos, a revista A Falar de Viana tornou-se um testemunho vivo da história, da tradição e da criatividade das gentes vianenses. Uma das características desta publicação é a sua forte componente ilustrativa. Fotografias, gravuras e imagens de arquivo enriquecem visualmente os conteúdos, facilitando a compreensão dos temas abordados e aproximando o leitor dos cenários e emoções. As imagens não só embelezam a leitura, como preservam visualmente o património, eternizando momentos e rostos que fazem parte da nossa identidade coletiva.

    Com edições que rondam as 300 páginas, esta publicação com redação sedeada na Biblioteca Municipal, reúne um vasto conjunto de colaborações, abordando temas ligados à cidade, ao concelho e, naturalmente, às Festas da Agonia. Através da escrita, da imagem e da memória, constrói-se um retrato multifacetado da vida cultural e comunitária de Viana, tornando a revista simultaneamente objeto de leitura, espaço de reflexão e instrumento de preservação patrimonial.

    Este interesse assume uma elevada importância porque A Falar de Viana tem procurado manter, e até acentuar, a componente cultural desta secular “Romaria das Romarias”. Tal, só é possível, graças à prestimosa e generosa colaboração de autores que, empenhadamente e sem qualquer tipo de benefício pessoal, produzem textos de grande qualidade nos domínios da história, da antropologia, da etnografia, da arte e da religião, sem esquecer as vertentes literária e turística. A todos eles se deve um agradecimento profundo e sincero, pelo modo como enriquecem cada edição e ajudam a consolidar a identidade cultural de Viana do Castelo.

    É essa dedicação que faz com que esta publicação tenha entrado no coração de todos os que sentem o pulsar da cidade e das suas festas, identificando-se com o seu património cultural, com a força da tradição, com a riqueza da cultura e com a profunda e arreigada ligação ao mar das suas gentes, bem visível no sentimento, na exaltação e na expressão de arte e fé que marcam a Romaria d’Agonia. Ler a revista é, por isso, também participar neste movimento coletivo de memória e celebração.

    Em 2012, a revista iniciou uma nova etapa com o arranque da sua segunda série, sob nova coordenação editorial. Sem desvalorizar o trabalho anteriormente realizado, a nova equipa apostou numa reorganização gráfica e de conteúdos, com o objetivo de a tornar mais apelativa, estruturada e coerente. Foram introduzidas secções fixas que definem a sua identidade atual e facilitam a leitura, proporcionando um diálogo mais direto com os leitores.

    Na secção Memória, o leitor é convidado a recuar cem anos, numa evocação de como eram as festas e a cidade um século antes. Já em Registo, compilam-se textos e imagens que documentam o que se escreveu e publicou sobre a Romaria e a cidade ao longo das décadas, preservando o olhar de outros tempos. A Antologia Poética dá voz à dimensão literária da cultura local, reunindo poemas de autores vianenses ou inspirados por Viana. Na Coletânea cabem crónicas, ensaios e testemunhos, refletindo a diversidade de perspetivas sobre o território e a sua vivência. Através da Reportagem, recuperam-se os momentos mais marcantes do ano anterior, numa galeria de imagens que capta a alma festiva de uma cidade que se reinventa a cada agosto, sem nunca trair as raízes e os símbolos que a definem.

    A revista inclui ainda o programa oficial das Festas da Agonia, documento de consulta obrigatória para quem vive e visita a romaria. Mas, a sua função vai muito além do acompanhamento do evento: A Falar de Viana é um verdadeiro património editorial. Nas suas páginas encontram-se as pontes entre o passado e o presente, entre o olhar da tradição e os desafios contemporâneos da cultura local, entre a devoção e a criação artística, entre o íntimo e o coletivo.

    Hoje, esta publicação é uma referência regional e um exemplo de como a memória coletiva se cultiva também através do papel. Ao lado da Romaria, de que é companheira fiel, A Falar de Viana continua a enriquecer a vivência festiva e a contribuir para que a memória, a história e a identidade cultural da cidade permaneçam vivas nas gerações presentes e futuras.

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